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Jornal “The Guardian” sugere que Portugal é um país racista e compara Ventura a Bolsonaro




O jornal britânico “The Guardian” noticiou, esta segunda-feira, alguns dos mais recentes acontecimentos racistas que têm ocorrido no país, afirmando no seu título que “Portugal regista um aumento da violência racista com ascensão da extrema direita”, fazendo uma vincada referência à conduta política do Chega.

Nos últimos tempos, em Portugal, têm-se registado alguns episódios que foram considerados racistas. Depois de uma onda de protestos nos EUA, devido à morte de George Floyd, também aqui ocorreram manifestações com o intuito de gerar maior justiça racial.

Contudo, uma grande parte dos portugueses – incluindo alguns políticos – parece acreditar que em Portugal não acontecem crimes de racismo. O assunto gera discórdia e já atravessou fronteiras, tendo-se tornado notícia no reino Unido.

O jornal The Guardian relembra alguns episódios de violência impulsionada por racismo, e dá até exemplos de políticos portugueses que optam por uma conduta de “extrema direita”, fazendo assim referencia à conduta André Ventura.

O jornal britânico recorda que, durante o verão, Mamadou Ba, chefe de uma organização anti-racista, recebeu uma carta onde era enaltecido um sentimento de superioridade racial. Na carta podia ler-se: “o nosso objetivo é matar todos os estrangeiros e antifascistas – e tu estás entre nossos alvos”.

O diário inglês afirma ainda que a experiência de Mamadou Ba faz parte “de um número crescente de incidentes racistas ocorridos em Portugal que levaram a Rede Europeia contra o Racismo (ENAR) a apelar a uma resposta institucional urgente”.

Outro dos episódios salientado pelo “The Guardian” remete a janeiro deste ano, quando Cláudia Simões, uma mulher negra, e a filha foram agredidas por não possuírem um bilhete de autocarro.

Ainda assim, o jornal inglês classifica como “o pior ataque” o que ocorreu quando Bruno Candé foi assassinado (colocando até uma imagem do ator na abertura da sua notícia), depois de um homem o ter atingido com seis tiros nas costas — episódio que o ENAR descreveu como “um crime explicitamente motivado por motivos raciais”.

Em declarações ao “The Guardian”, o ENAR sustentou que nos “últimos meses tem havido um aumento preocupante de ataques racistas de extrema direita em Portugal, confirmando que as mensagens de ódio estão a alimentar ações mais agressivas”.

Segundo o jornal, no ano passado, a Comissão Portuguesa para a Igualdade e Contra a Discriminação recebeu 436 queixas relativas a casos de racismo, o que representa um aumento de 26% em relação a 2018.

Na mesma entrevista, o ENAR refere que esta subida pode ter a ver com o ressurgimento da extrema direita em Portugal, devido à ascensão política do partido Chega, que tem como líder André Ventura – que neste momento é deputado na Assembleia da República.

Desde então, e de acordo com a ENAR, os “ativistas de extrema direita foram encorajados a cometer crimes de motivação racial contra pessoas de cor em Portugal”, o que pode justificar o aumento drástico nos últimos dois anos.

O “The Guardian” apresenta Ventura como um político “conhecido por ter ligações com outros grupos extremistas de extrema direita, e que nomeou ex-membros de grupos neonazistas para posições de liderança no seu partido”. O jornal faz ainda referência à reação de Ventura, na altura da apresentação da candidatura de Ana Gomes à presidência da República, quando chamou a ex-eurodeputada de “candidata cigana”.

Na opinião de António Costa Pinto, o partido de Ventura está a crescer porque o político “diz em público o que muitos portugueses pensam em privado mas não dizem”, afirmou. O cientista político explicou ao diário britânico, que a agenda política de André Ventura é “semelhante à de muitos outros líderes de extrema direita em todo o mundo”.

O jornal britânico compara a atitude extremista presente em Portugal, representada por André Ventura, com “a retórica do presidente do Brasil”, Jair Bolsonaro e acrescenta ainda tentou contactar com o Chega, mas o partido não respondeu.

Relativamente ao assassinato de Bruno Candé, o jornal recorda que a comunidade negra em Portugal organizou “a maior manifestação anti-racismo alguma vez vista no país”, mas que o líder do Chega respondeu com um contra protesto “no qual foi visto a fazer uma saudação nazi enquanto segurava uma faixa que dizia: “Portugal não é racista”.

Também Joacine Katar Moreira foi referenciada na notícia. O “The Guardian” realça que a deputada, que nasceu na Guiné-Bissau e gagueja, “tem sido alvo de perseguições e tem sido ridicularizada desde a sua eleição, inclusive por Ventura, que lhe disse para voltar para o seu país”.

A ENAR disse ao jornal que “a falta de resposta institucional apenas reafirma o sentido histórico de impunidade para os autores de violência racista, e nega a necessidade urgente de abordar o racismo em Portugal”, criticando assim o poder político português, que acredita que pouco tem feito para mudar esta realidade.

Fonte e foto: ZAP

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