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José Miguel Júdice elogia os “grandes banqueiros”, Ricardo Salgado e Jardim Gonçalves



O antigo Bastonário dos Advogados, José Miguel Júdice, considera que Ricardo Salgado foi “um grande banqueiro” e que “não era um gangster”, realçando que não acredita que pudesse “fazer aquilo tudo sem que mais ninguém soubesse”.

Declarações numa entrevista ao jornal Sol, onde o advogado e actual comentador da SIC começa por referir que “Ricardo Salgado era considerado e com razão um grande banqueiro”.

No entanto, ele, ao contrário do que se pensava, não tinha muito poder. Ele era apenas a expressão de uma família com centenas de accionistas, digamos assim, cada um com os seus pontos de vista e os seus interesses”, constata ainda Júdice.

Na mesma entrevista, o ex-Bastonário também refere que Salgado “tinha de gerir a sua base de apoio” e “também de gerir o banco”. Além disso, “quando o Banco Espírito Santo [BES] foi nacionalizado, em 1975, e quando foi possível à família recuperar o banco ela pagou mais do que aquilo que o banco valia, mas ninguém lhe tinha pago na nacionalização aquilo que o banco valia”.

Foi comprado com enorme endividamento e quando as coisas se compram com enorme endividamento a margem de sobrevivência é muito limitada”, repara Júdice, concluindo que “tudo indica que a partir de 2008 ou 2009, a tentativa de resolver todos estes problemas com todas as condicionantes impostas pela crise terão levado a que se fizessem certo tipo de procedimentos que, possivelmente, são práticas criminosas“.

Mas “o Ricardo Salgado não era um gangster”, continua. “Cometeu erros, pode até ter cometido crimes, mas não vale a pena dizermos que o Ricardo Salgado é um malandro sem pensar em mais nada”, constata ainda Júdice.

O advogado acrescenta que não está “a desculpar o Ricardo Salgado”. “Se cometeu crimes deve ser julgado e punido exemplarmente porque é uma pessoa responsável. Mas facilita muito simplificar e dizer: ‘A culpa é daquele senhor””, aponta.

Não acredito que, se de facto o Ricardo Salgado cometeu aqueles crimes todos, tivessem sido três ou quatro pessoas fechadas num gabinete às escuras a fazer aquilo tudo sem que mais ninguém soubesse“, salienta ainda Júdice.

O “riso sardónico” de Mortágua num debate sobre corrupção

Esta entrevista do actual comentador da SIC ao Sol foi abordada durante a sua participação no programa “Expresso da Meia-Noite” da SIC Notícias, onde se discutiu precisamente o caso BES.

Neste programa, Júdice reforçou a ideia de que Salgado “foi um bom banqueiro” que “cometeu gravíssimos erros, criminais ou não”.

O ex-advogado também salientou que Jardim Gonçalves foi outro “grande banqueiro” que “cometeu erros que são censuráveis”.

Jardim Gonçalves, fundador do BCP, foi condenado em tribunal a 2 anos de prisão, com pena suspensa, pelo crime de manipulação de mercado.

No mesmo programa televisivo, Júdice foi confrontado pelo jornalista Bernardo Ferrão com a ideia de que os advogados andam muito ligados à corrupção devido à profissão que exercem. O ex-advogado ripostou com “o perigo das generalizações”.

Em “40 e tal anos de vida profissional como advogado que se levante o primeiro que me possa atirar uma pedra de eu ter participado, colaborado ou pactuado com um acto de corrupção”, acrescentou a seguir o antigo Bastonário.

Olhando para o outro lado do painel de investigadores, onde estava Mariana Mortágua, disse-lhe então “não se ponha a rir”. É um “riso sardónico que não lhe fica bem”, considerou ainda. “Não sabe o que foi a minha vida”, concluiu.

Mariana Mortágua que integrou a Comissão Parlamentar de inquérito à gestão do BES/GES não chegou a referir-se directamente a Júdice, nem tão pouco a explicar o seu sorriso.

Em Março deste ano, a ex-diplomata Ana Gomes revelou, precisamente na SIC, ter na sua posse “factos e documentos” contra Júdice sobre a sua alegada participação em “esquemas de advocacia que fazem parte do polvo de corrupção que tem envenenado o nosso país”.

Fonte e foto: ZAP

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